Olá pessoal, o Coletivo do Distrito Norte vem experimentando processos "educacionais" constitutivos de ações que possam reproduzir metodologias do agir pedagógico para a gestão e trabalho em saúde.
Publicizamos aqui uma narrativa que consegue refletir um momento vivenciado por parte do grupo de Saúde Mental ... em que se defendia o avesso do avesso, numa inflexão do movimento, dobrando certa desconstrução ética-política da representação a favor da construção do próprio espaço coletivo. É possível?
Saudações e até a VITÓRIA!!!
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"Os sonhos são uma pintura muda, em que a imaginação a portas fechadas, e às escuras, retrata a vida e a alma de cada um, com as cores das suas ações, dos seus propósitos e dos seus desejos."
Padre Vieira, no Sermão de São Francisco Xavier Dormindo
LUZ - Mentes em Chama
Quem sair por último apague a luz... essa foi a primeira impressão que todos tivemos no início da sexta reunião da saúde mental. Quem achava que era representante de alguém ou alguma coisa já não representava mais nada a não ser a si mesmo. Todos se sentiram desapoderados e desamparados perante um discurso de desconstrução.
Foi difícil entender o significado de todas aquelas provocações, aqueles cutucões e perguntas. Uma certa vertigem acometeu os poucos participantes que não estavam paralisados naquele dia, muito pelo contrário, se movimentavam mais do que nunca. Se Tom Zé estivesse naquela sala, resumiria a cena com uma música:
Tô bem de baixo prá poder subir
Tô bem de cima prá poder cair
Tô dividindo prá poder sobrar
Desperdiçando prá poder faltar
Devagarinho prá poder caber
Bem de leve prá não perdoar
Tô estudando prá saber ignorar
Eu tô aqui comendo para vomitar
Eu tô te explicando
Prá te confundir
Eu tô te confundindo
Prá te esclarecer
Tô iluminado
Prá poder cegar
Tô ficando cego
Prá poder guiar
Prá te confundir
Eu tô te confundindo
Prá te esclarecer
Tô iluminado
Prá poder cegar
Tô ficando cego
Prá poder guiar
Suavemente prá poder rasgar
Olho fechado prá te ver melhor
Com alegria prá poder chorar
Desesperado prá ter paciência
Carinhoso prá poder ferir
Lentamente prá não atrasar
Atrás da vida prá poder morrer
Eu tô me despedindo prá poder voltar
Olho fechado prá te ver melhor
Com alegria prá poder chorar
Desesperado prá ter paciência
Carinhoso prá poder ferir
Lentamente prá não atrasar
Atrás da vida prá poder morrer
Eu tô me despedindo prá poder voltar
E assim seguiu a reunião, após o primeiro golpe, mais outro e outro... O tempo ia passando e a impressão que dava é que seria um dia perdido, do qual sairíamos sem rumo. No entanto, aos poucos fomos aclarando a verdadeira intenção daquela estória toda. Diferente de um general que ordena as ações de seus comandados; presenciamos a ação de um técnico de futebol, que não entra em campo, mas depois de analisar a situação do jogo orienta os jogadores a partir de suas habilidades e potencialidades para que estes possam dar o melhor de si e virar o jogo.
Visto isso, em meio a metáforas apaixonadas (quem estava lá sabe a que eu me refiro), fomos entendendo nosso papel e o que se esperava desta reunião, ou melhor, união. Saímos todos com uma missão coletiva e individual ao mesmo tempo: Quem sair primeiro apague a luz... apague a luz e acenda uma vela, uma tocha, uma fogueira, incendeie. Com essa chama ilumine, aqueça e espalhe esse fogo em suas equipes, não chamaremos os bombeiros!!!
E pensando bem, há coisa melhor do que responder apenas por si mesmo? Não representar nada, só você, o que já é muita coisa... Ao final as pessoas foram sentindo-se cheios de poder e amparados pelo que perceberam que era uma reconstrução deste grupo. E toda a provocação fez sentido. A paixão que já existia, mas não era tão correspondida, agora teve um novo significado. Uma paixão juvenil, meio desengonçada, meio tímida, mas totalmente consentida. Vamos amar!
Vi o meu sentido confundido, iluminado
Vi o sol enluarar, quando viu você
Vi a tarde inteira, a Sexta-feira, o feriado
Esperando o amor chegar e trazer você
Você chegou querendo
Tudo que o tempo não te deu
E que levou de você;
Sem saber que você já sou eu
Agora não entendo
O meu relógio o amor tirou
Mas sei que o meu coração
Tá batendo mais forte
Porque você chegou
Vi a tarde inteira, a Sexta-feira, o feriado
Esperando o amor chegar e trazer você
Você chegou querendo
Tudo que o tempo não te deu
E que levou de você;
Sem saber que você já sou eu
Agora não entendo
O meu relógio o amor tirou
Mas sei que o meu coração
Tá batendo mais forte
Porque você chegou
(Vander Lee)
Angélica Pereira da Rocha
(R2 Medicina de Família e Comunidade - UNICAMP)
Campinas, 26 de Outubro de 2011.
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